AULAS

Segurança no Trabalho

O esteticista durante a realização dos procedimentos em estética está em constante exposição a uma grande variedade de microorganismos que podem causar determinada patologia. Esta exposição pode ser aumentada devido ao atendimento diversificado de clientes ou até mesmo pela omissão e desconhecimento de algumas patologias por parte dos clientes.

O contato com fluídos biológicos ou lesões pode desencadear um processo alérgico ou infeccioso, podendo ser evitados pela utilização de equipamentos de proteção que possibilitam a diminuição destes efeitos.

Estes equipamentos fazem parte das medidas de Biossegurança que promovem a preservação da saúde do profissional da área de estética.

É importante lembrar que os equipamentos devem ser utilizados nos procedimentos de maneira correta, prevenindo a exposição direta entre cliente e profissional.

Biossegurança é o conjunto de procedimentos adaptados no espaço de estética, com o objetivo de dar proteção e segurança ao cliente e ao profissional.

O único meio de prevenir a transmissão de doenças é o emprego de medidas de controle de infecção como equipamento de proteção individual (EPI), esterilização do instrumental, desinfecção do equipamento e ambiente do local de trabalho.

São essenciais a padronização e manutenção das medidas de Biossegurança como forma eficaz de redução de risco ocupacional e transmissão de doenças infecciosas.

A Biossegurança não é uma ciência e sim uma interação de conhecimentos específicos e deve ser entendida como uma ação educativa, como um conjunto de ações voltadas para a prevenção ou eliminação de riscos à saúde.

Uma das ações primordiais para proteção humana é a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que auxiliam na prevenção de certas patologias.

Formas de Prevenção de Acidentes de Trabalho
A segurança no trabalho é definida como todas as medidas e formas de procedimento que visam à eliminação dos riscos de acidentes.
Os riscos são inerentes à vida e à atividade humana.
Para ser eficaz, a Segurança deve atuar sobre homens, equipamentos e instalações, levando em conta a preservação da saúde humana.

Acidente é, por definição, um evento negativo e indesejado do qual resulta uma lesão pessoal ou dano material.
Essa lesão pode ser imediata (lesão traumática) ou mediata (doença profissional). Assim, caracteriza-se a lesão quando a integridade física ou a saúde são atingidas.
O acidente, entretanto, caracteriza-se pela existência do risco.

Pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT:
 
"ACIDENTE DO TRABALHO (ou, simplesmente, ACIDENTE) é a ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou não, relacionada com o exercício do trabalho, que provoca lesão pessoal ou de que decorre risco próximo ou remoto dessa lesão" (NBR 14280/99, Cadastro de Acidentes do Trabalho – Procedimento e Classificação.)

O gerenciamento dos riscos associados ao trabalho é fundamental para a prevenção de acidentes. Isso requer pesquisas, métodos e técnicas específicas, monitoramento e controle.

Os conceitos básicos de segurança e saúde devem estar incorporados em todas as etapas do processo de trabalho interno. Essa concepção irá garantir inclusive a continuidade e segurança dos processos.

Acima de tudo, a busca de condições seguras e saudáveis no ambiente de trabalho significa proteger e preservar a vida e, principalmente, é mais uma forma de se construir Qualidade de Vida.

A CIPA, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes é uma das formas mais
importantes de prevenir acidentes e doenças no trabalho.

NR 5 – CIPA
Todas as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, instituições beneficentes, cooperativas, os clubes, desde que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, dependendo do grau de risco da empresa e do número mínimo de 20 empregados, são obrigados a constituir e manter a CIPA.

A CIPA será composta de representantes do empregador e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto nesta NR, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos normativos para setores econômicos específicos.

Atribuições da CIPA
a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos
b) elaborar plano de trabalho que possibilita a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho;
c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho;
d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores;
e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas;
f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho;
g) participar das discussões promovidas pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho relacionado à segurança e saúde dos trabalhadores;
h) requerer ao empregador, a paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores;
i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) e PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientes) e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;
j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras relativas à segurança e saúde no trabalho;
l) participar com o empregador da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados;
m) requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que tenham interferido na segurança e saúde dos trabalhadores;
n) promover, anualmente a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;
o) participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas de Saúde.

Para a prevenção de acidentes é necessário introduzir e facilitar a adoção de boas práticas de gestão para prevenção de acidentes e doenças no âmbito das micro e pequenas empresas, contribuindo para a proteção contra os riscos presentes no ambiente de trabalho, prevenindo e reduzindo acidentes e doenças e diminuindo consideravelmente os custos.

A diminuição de custos torna a empresa mais competitiva, auxiliando na sensibilização de todos os funcionários para o desenvolvimento de uma consciência coletiva de respeito à integridade física dos trabalhadores e melhoria contínua dos ambientes de trabalho.

A análise preliminar das condições de trabalho permite a elaboração de estratégias que vão subsidiar as etapas de implantação do programa de gestão de saúde e segurança no trabalho, e é estabelecida com quatro indagações bem simples:
1) exposição do trabalhador está exposto à fonte de perigo
2) tempo de contato com a fonte de perigo
3) freqüência do contato entre o trabalhador e a fonte de perigo
4) qual a distância entre o trabalhador e a fonte de perigo

Quanto maior o tempo de exposição ou de contato com a fonte de perigo, maior será o risco; quanto maior for a freqüência da exposição ao perigo, maior será o risco; e quanto mais próximo da fonte de perigo,
maior será o risco.

EPI e EPC
Muitas empresas desconhecem as leis de Segurança e Saúde do trabalho e existe um contingente enorme que não adota nenhuma medida de prevenção.

Entre aquelas que aplicam minimamente as exigências legais, prevalece o uso de EPI – Equipamento de Proteção Individual. Poucas são as que realmente investem em segurança, saúde e meio ambiente, visando com isso a preservação do homem, melhorias no local de trabalho e o conseqüente
aumento de produtividade.

Aquelas que estão ou já passaram por processos de reestruturação interna, através de programas de qualidade e gestão do meio ambiente, começam a definir, enquanto política de prevenção, investimentos em EPC – Equipamentos de Proteção Coletiva.  

A Norma Regulamentadora – NR6 estabelece de forma clara e precisa em que o EPI deve ser utilizado: sempre que as medidas de proteção coletiva forem tecnicamente inviáveis ou não oferecem completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho e/ou doenças ocupacionais; enquanto as medidas de proteção coletiva não estiverem sendo implantadas; ou para atender às
situações de emergência.

EPC – O conceito de proteção coletiva é muito amplo, pois as formas de sanar os locais de trabalho, prevenindo acidentes e doenças ocupacionais, variam muito. É toda medida ou dispositivo, sinal, imagem, som, instrumento ou equipamento destinado à proteção de uma ou mais pessoas.
Proteção coletiva pode ser entendida como proteção total, englobando questões como treinamento, educação, alimentação, medidas de engenharia, programas de qualidade, entre outras.

NR6 - Norma Regulamentadora – EPI
6.1 Para os fins de aplicação desta Norma Regulamentadora – NR, considera-se Equipamento de Proteção Individual – EPI, todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

6.5 Compete ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT, ou a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, nas empresas desobrigadas de manter o SESMT, recomendar ao empregador o EPI adequado ao risco existente em determinada atividade.

6.6.1 Cabe ao empregador quanto ao EPI:
a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade;
b) exigir seu uso;
c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho;
d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação;

6.7.1 Cabe ao empregado quanto ao EPI:
a) usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina;
b) responsabilizar-se pela guarda e conservação;
c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso; 
d) cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.

ANEXO I
A - EPI PARA PROTEÇÃO DA CABEÇA
A.1 – Capacete
A.2 – Capuz
B – EPI PARA PROTEÇÃO DOS OLHOS E FACE
B.1 – Óculos
e) óculos de segurança para proteção dos olhos contra respingos de produtos químicos.
B.2 – Protetor facial
B.3 – Máscara de Solda
C – EPI PARA PROTEÇÃO AUDITIVA
D – EPI PARA PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA
E – EPI PARA PROTEÇÃO DO TRONCO
F – EPI PARA PROTEÇÃO DOS MEMBROS SUPERIORES
F.1 – Luva
F.2 – Creme protetor
F.3 – Manga
F.4 – Braçadeira
F.5 – Dedeira
G – EPI PARA PROTEÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES
G.1 – Calçado
G.2 – Meia
G.3 – Perneira
G.4 – Calça
H – EPI PARA PROTEÇÃO DO CORPO INTEIRO
I – EPI PARA PROTEÇÃO CONTRA QUEDAS COM DIFERENÇA DE NÍVEL

Procedimentos utilizados na Prevenção de Contaminação do Profissional em Estética

A utilização dos equipamentos de proteção (EPI e EPC) permite formar uma barreira de proteção contra microorganismos reduzindo a exposição tanto
para as peles como mucosas do Esteticista.
É importante salientar que, as precauções têm como objetivo evitar que os profissionais da área de saúde entrem em contato com fluídos orgânicos como sangue e secreções contaminadas.

Principais EPI´s com ação em estética

Touca: recobrir todo o cabelo e orelhas, protegendo principalmente dos aerossóis (barreira mecânica). Os fios de cabelo podem conter inúmeros microorganismos e ser considerados como fonte de infecção. Deve ser de uso único e descartável em lixo apropriado. Toucas utilizadas e guardadas podem ser consideradas como um meio de proliferação de bactérias.

Avental: evitar o contato da pele e roupas pessoais com os microrganismos na área de trabalho. Protege a pele do profissional da exposição de fluídos corporais.
Alguns autores consideram que o uso de avental branco garante a visualização
das sujidades.
Seu uso deve ser restrito ao local de trabalho. Após a utilização deve ser guardado longe dos pertences pessoais, com a finalidade de evitar maior contaminação.

Máscara: considerada como uma forma importante de proteção de mucosa e nariz, contra a ingestão e inalação de substâncias tóxicas e microorganismos.
Representa uma medida eficaz de proteção das vias aéreas superiores. É de uso exclusivo e descartável.
De acordo com alguns autores a máscara deve ser confortável, ter boa adaptação aos contornos faciais, não tocar nos lábios e boca, não promover o embaçamento dos óculos e ter boa filtração.

Óculos de Proteção: proteção biológica e mecânica. Deve proteger os olhos do profissional dos líquidos corporais (sangue, saliva e secreções). Devem ser fechados lateralmente, leves, confortáveis e transparentes. Deve ser lavados com substâncias germicidas ou anti-sépticas.

Luvas: são consideradas como a segunda pele, para o profissional e cliente. As mãos devem ser higienizadas antes de calçar as luvas, devido a presença de microorganismos que podem causar uma possível irritação sob a pele (abaixo das luvas). As luvas não devem ser reutilizadas e higienizadas com produtos desinfetantes. Devem ser descartadas, a cada procedimento, em lixo apropriado.

Tipos de Luvas
- procedimentos: não estéreis para processos semi-críticos.
- cirúrgicas: embaladas individualmente para procedimentos críticos.
- limpeza: látex grosso e resistente. Para a manipulação de instrumental contaminado, para procedimentos de limpeza e desinfecção da área de trabalho. Devem ser desinfetadas após o uso. São reutilizáveis.

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